A melhor parte
E o gozo nem é a melhor parte, tão intensa quanto efêmera, e pontua finalmente aquilo que há de mais perfeito, os movimentos, o estar dentro, o prazer que se dá, o pensamento em busca da próxima troca de posição, do melhor jeito de conduzi-la sem solavancos, ou percebendo qual o carinho que as mãos, quem sabe os pés, vão proporcionar, enquanto se curte os recebidos em troca, ou tantas vezes em sinal de pedido daquilo que se quer e tantas vezes não é nada disso, apenas os espasmos reflexos do que está acontecendo em outra parte do corpo, dos corpos, visto por olhos que não só vêem, ah! que doces pinturas, mas muito acariciam e ainda são acariciados por imagens que só fazem querer ver mais e para isso se entregar a fazer mais e outra vez, de novo a mente, sem racionalizar, só para alimentar o fogo que não queima mas aquece e que se quer eterno em um momento do tempo que deixou de existir e infinito em um lugar pouco importa se grande ou fechado ou não porque todas as carícias desejos entregas movimentos pensamentos calores sons cheiros imagens olhares suspiros suores e outros líquidos cabem tão somente na massa que um dia foi corpos, pouco importa pois já não o são, tendo se tornado energia viva cinética potencial, relativa em sua troca e absoluta em seu domínio, tanta e estimulada auto-estimulada retro-estimulada mutuamente estimulada e que explode em gozo.
(Janeiro 2004)
(Janeiro 2004)

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home